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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Um amor que não é amado


Existem várias definições, atualmente, para Deus, como: Deus é pai, Deus é fiel, Deus é misericórdia … Entretanto, qual é a verdadeira face de Deus? Como definir Deus se Ele parece ser tão complexo? “Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (I Jo. 4,16).


São João depois de diversas experiências vividas com Deus, diante de toda “complexidade” de Deus, só conseguiu resumi-Lo em uma única frase “Deus é amor”. A face de Deus, o seu corpo, é o amor. Deus é amor, e o verdadeiro amor, é Deus! É dessa forma que São João define Deus. Porém, você pode se questionar e ser contrário a essa verdade afirmando que Ele também é pai, misericórdia, consolo, etc. Entretanto, São João estava certo. Deus só é amor, sua essência é o amor! Todas essas outras definições, não são o próprio Deus, só são características Dele, que por sinal, só surgem pelo fato de antes Ele ser amor.

O amor – diferente da misericórdia, bondade, fidelidade … – não é uma característica de Deus, o amor, é o próprio Deus. Por isso, tudo aquilo que surge no amor verdadeiro, tem suas raízes fixadas em Deus. Na bíblia, que é a voz de Deus, o amor é Deus, no mundo, o amor é doentio, amante, a moda antiga, etc. Portanto, vale deixar bem claro que os amores pregados pelo mundo afora, não é nem na definição parecido com o de Deus.

Deus, que é amor, precisava manifestar ao mundo quem Ele era, e a forma máxima da manifestação do seu amor foi doando seu Único. “Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu único, para que vivamos por ele” (I Jo. 4, 9). Se formos acompanhar a história da salvação, perceberemos que Deus nos deu tudo que Ele poderia nos dá: primeiro Ele cria tudo e nos oferece, e nós o traímos; depois Ele vai mandando profetas para nos alertar, e nós não os ouvimos; Ele tira o povo da escravidão, que passa pelo mar vermelho a pé enxuto e a eles dá o maná, a terra prometida e eles não escutaram a Deus. Até que chega a um ponto onde Deus só poderia nós oferecer – por amor, pois Ele é o próprio – o seu precioso e único filho. E por incrível que pareça, Ele assim o fez. E mais incrível ainda, esse amor não foi e não é amado!

“Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldiçoado e não fazíamos caso dele. Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado” (Is. 53, 3-4). Se trocarmos a palavra “dele”, presente no texto acima, por “do amor” e, a palavra “ele” por “o amor” conseguiremos entender como O AMOR foi tratado. Acredito que o coração de Deus dói muito por saber que esse AMOR ainda é tratado dessa forma. Isso não quer dizer que ainda hoje vivemos crucificando O AMOR, mas que, ainda o tratamos com tamanha indiferença, ingratidão, desprezo, como um homem das dores desprezado e humilhado por Deus, como um fracassado, etc.

O mundo nunca viveu em um período de tanta “evolução”, mas, em meio a tanta evolução, o mundo ainda não evoluiu na aprendizagem de amar O AMOR, e por isso, ainda continua com indiferença, ingratidão, desprezo, não amando O AMOR.

Que Deus nos dê a graça de amar o verdadeiro e único amor com nossas vidas, de consolá-lo por todos os que não amam, e que também nos agracie com a ousadia necessária para manifestar o prazer que é pertencer a esse amor.

Lucas Agra









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