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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O fruto do pecado é a morte



(Rm 6,23)
No dia 15 de abril, ao saber que seu filho de 19 anos se envolvera num episódio de arruaça com outros jovens numa boate de Campo Grande, o prefeito de Costa Rica, diante dos comentários maldosos sobre possíveis lacunas na educação familiar, assim se expressou: «Lamento o ocorrido. Não vou passar a mão na cabeça de ninguém. Tenho certeza que criei meu filho com princípios. Ele tem que ser responsabilizado». Pedindo desculpas à população do município, acrescentou: «Até os 18 anos, quando era eu que mandava, ele não frequentava bares e boates».

Na semana seguinte, outro jovem, também de 19 anos, tentou furar o bloqueio policial em alta velocidade na cidade de Rio Verde. Ao ser preso, inclusive por desacato à autoridade, dizendo-se filho de fazendeiro, passou a xingar e ameaçar os policiais: «Vocês me prendem, mas verão no que isso vai dar. Eu vou denunciar vocês e vocês perderão essas fardinhas».

Por fim, no dia 1º de maio, em Dourados, foi preso mais um jovem de 19 anos, o "Cachoeirinha", considerado o maior bandido mirim da cidade. No momento, ele estava com 11 quilos e 840 gramas da maconha. Seus crimes começaram com pequenos furtos e agressões na infância e na adolescência, e se transformaram em vários assassinatos ao atingir a maioridade.

Os três fatos aconteceram no mesmo Estado (Mato Grosso do Sul), num curto espaço de tempo (15 dias) e com pessoas da mesma faixa etária (19 anos). Se em todos imperam a transgressão e a truculência, contudo a educação, a cultura e a condição social herdada de seus familiares são diferentes.

Antigamente, tinha-se como certo que a primeira escola era a família. Nada substituía a educação ministrada pelos pais. Hoje, pelo contrário, tudo indica que a reviravolta é total, como descreveu a pedagoga espanhola, Mônica Monastério, na revista "Ecos Marianos", de 2011: «Somos a primeira geração de pais decididos a não repetir com os filhos os erros dos nossos progenitores. E, com o esforço de abolirmos os abusos do passado, somos pais mais dedicados e compreensivos. Mas, por outro lado, os mais bobos e inseguros que já houve na história.

O grave é que estamos lidando com crianças mais "espertas" do que nós, ousadas e mais "poderosas" do que nunca. Parece que, em nossa tentativa de sermos os pais que queríamos ter, passamos de um extremo a outro. Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais. E a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos. Os últimos que tivemos medo dos pais, e os primeiros que tememos os filhos. Os últimos que cresceram sob o comando dos pais, e os primeiros que vivem sob o jugo dos filhos. E, o que é pior: os últimos que respeitamos os nossos pais, e os primeiros que aceitamos que nossos filhos nos faltem com o respeito».

Ante o permissivismo ético e moral que se alastra em todas as direções, sobretudo através dos meios de comunicação social - sem excluir escolas e famílias - é de se perguntar se era mais deletéria a "repressão sexual" de alguns anos atrás ou a banalização do sexo da sociedade moderna... Os grandes desafios da atualidade - a devastação do meio ambiente, a corrupção política, a violência urbana, as injustiças sociais, etc. - não têm outra origem senão no pecado em que caíram Adão e Eva, ao pretenderem tomar o lugar de Deus, decidindo o que é bom e mau, o que é certo e errado, sem nenhuma outra diretriz senão a própria vontade (Cf. Gn 3,5).

É então que «os homens se perdem em raciocínios vazios e sua mente fica obscurecida. Pretendem ser sábios, mas não passam de ignorantes; trocam a glória do Deus incorruptível - que é o homem vivo, na clássica definição de Santo Irineu - por seres corruptíveis» (Rm 1,21-23). Um exemplo recente: no dia 24 de junho, em Anastácio, Mato Grosso do Sul, um homem foi preso por ter matado um cachorro, fato, sem dúvida, lamentável para quem aprende a respeitar os animais e a natureza. Se, porém, matar um cachorro é crime, o que será abandonar à própria sorte milhares - ou milhões? - de pessoas, que morrem de fome porque outros comem demais? E o que são as numerosas - e cada vez mais sofisticadas - clínicas para animais, se comparadas com o que se vê (ou não se vê) em tantos hospitais?!

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Dom Redovino Rizzardo, cs
Bispo de Dourados - MS

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